sábado, maio 28, 2005

Os limites da tolerância

A tolerância poderia ser o primeiro passo em direcção à compaixão. Trata-se de perdoar, de não guardar rancor. Trata-se de procurar compreender mais profundamente as motivações dos outros sem pagar o mal com o mal. A compaixão pode nascer sobre esta base. (...) Não penso que haja limites à nossa tolerância. A via dos Bodhisattvas evolui em função da nossa capacidade. Até onde podemos ir? Se não nos arrependemos de dar um copo de água, damos um copo de água. Se não nos arrependemos de oferecer a nossa vida, podemos oferecê-la. Se tomarmos a tolerância como uma forma de paciência ela é sem limites. Convém, ainda assim, ter em consideração diversos factores.Se fazemos um grande sacrifício para um resultado mínimo, é melhor desistir. Ao inverso, se o nosso sacrifício é muito útil aos outros não há que hesitar. Seja como for, não devemos tolerar as acções negativas sejam nossas, sejam dos outros.

Ringu Tulku

sexta-feira, maio 27, 2005

O viajante


"Que destino pode ser superior ao de um Imperador?
- O do viajante, quando completa a sua viagem."

As mãos

As duas mãos

quarta-feira, maio 25, 2005

Everything is teaching us


à hora do almoço no Jardim das Virtudes

terça-feira, maio 17, 2005

Iluminação e Parinirvana

Comemora-se na próxima 2.ª feira, dia 23 de Maio, a Iluminação e o Parinirvana do Senhor Buda Shakyamuni, segundo o calendário tibetano. De manhã haverá uma libertação de animais. Quem quiser contribuir, pode contactar-nos... email ubporto@yahoo.co.uk

segunda-feira, maio 16, 2005

Workshop - dia 29/5/2005

CHI KUNG

O Qi Gong (Chi Kung) significa "treinar as energias" tanto internas como externas e consiste então numa ginástica energética praticada regularmente para manutenção e equilíbrio das energias mas também como complemento terapêutico para uma convalescença. É uma técnica com raízes milenares e baseia-se em posturas e movimentos de animais. Ajuda a flexiblilizar o corpo tanto a nível físico como energético e pretende desfazer ou prevenir os bloqueios de energia de forma a evitar a doença ou a ajudar a curá-la. Este sistema de auto-cura e auto-energização inclui posturas paradas, em movimento, exercícios de respiração, práticas meditativas e de condução de energia Qi (Chi) através do corpo e da mente.

WORKSHOP
Manhã - das 11 às 13h
Noções básicas
Auto-massagem
Exercícios básicos das portas
Passos

Tarde - das 14 às 17h30
Andamentos/passos
Exercícios yang/yin
Exercícios terapêuticos das 18 palmas de Luchan
Exercícios de concentração energética do Qi
Exercícios de meditação taoísta "abrir a porta do céu e acalmar o espírito"
Entrega de certificados

Número mínimo 9 pessoas
Local: CREU, rua Oliveira monteiro 562
Preço: €35 (estudantes €30 e membros da UBP €25)

Ringu Tulku no Algarve

Mais ensinamentos de Verão:

Ringu Tulku vai ensinar em Humkara Dzong (Algarve), onde comentará "As trinta e sete práticas dos Bodhisattvas", de Gyelse Thogme Zangpo, de Quarta 10 de Agosto a Domingo 14 de Agosto.

Organização:
Ogyen Kunzang Chöling – Portugal
Rua do Salitre, 117 - 1250-198 Lisboa
Tél. + 351 21 314 20 38
Fax. + 351 21 315 15 24
lx@okc-net
www.okc-net.org

Mosteiro: Humkara Dzong
Moinho do Malhão
Salir - 8100-997 Loulé
Tel. + 351 289 48 90 62
hd@okc-net.org

sexta-feira, maio 13, 2005

quinta-feira, maio 12, 2005

Zazen

"Zazen is the cessation of the everyday business of thinking! Doing nothing, expecting nothing, getting nothing - sometimes it may appear to be so simple that we might not continue practising. However, we should not be sitting machines. If our everyday lives are unsound, it is impossible to practise the real way of zazen. Zazen is the son of daily life - if not, it is a lie - and at the same time, zazen is the mother of daily life.

We do not need a particular time in order to have space in our hearts for calling back the essential wisdom. It is enough if we sit in calmness for a while each day. Being busy is different from having no room in our hearts. Therefore, however busy we may be, we will find that we can sit; we always find time in our life for eating and sleeping. Thus, if we say that we have no time for meditation, we are really saying that we have some other priority. We should, please, examine ourselves what is the most profound priority in our soul?

We are all beginners. This is not only true, but necessary - even for someone who has been practising for more than one hundred years. This is not trite sentiment. We need the beginner's mind in everything, whatever we do, whoever we are. Expert practitioners are naturally able to discern and rectify their attitudes and actions the moment the need arises. They are always able to abandon their own selves. They are always beginners.

This is the meditation of infinite awakening; this sitting does not remain as our own."
Hôgen

Programa de Verão em Jiko An

JULY

7 - 10
Family Constellations with Teresa Bucero

Based on Bert Hellinger¹s sistemic therapy, Family Constellations put the individual in touch with a family soul (the deep consciousness directing the destiny of a family) offering the possibility to heal the past and establish a new order between its members. A new perspective on life emerges from the recognition of what is and from the love born out of our experience of unity with all living beings. Possible to attend the course in order just to come in touch with this therapy or to work aspects of one¹s life, family or couple relationships.
Doshin is a disciple of Zen Master Hôgen who trained in Family Constellations with Holistic Therapist Carmen Garcia Pedrosa. With Teresa Bucero directs ³El Vivero², an agrocenter near Madrid dedicated to personal growth and organic farming.

11 - 17
Shiatsu Massage with Angeles Sanchez Ramos

Shiatsu is a traditionnal massage from Japan. The pressure is realized by the fingers though its origin is the centre of the Self (Hara), opening in such a way a path towards the conscious fusion with the universal Chi.
Angeles Sanchez Ramos studied at the Shiatsu European School fin the line of Masunaga Sensei (Zen Shiatsu). Lives in Malaga.

22 - 24
Introduction to Zen with Shingan (Francis)

In this course, basic instructions will be given about zazen and other zen practices according to the teachings of Zen Master Hôgen Yamahata (Soto Zen School).

25 - 31
Zen Meditation Retreat with Shingan (Francis)

A sesshin is an intensive period of meditation, open to all, experienced practitioners or beginners, though it might be advisable to have previous experience or have followed some introduction course.

³We give up all the things we usually have in our daily life, we cut ourselves off our habitual current. We need to fast from thinking and the sesshin offers us that space of silence to help us free ourselves from our habits. ³ Hôgen

AUGUST

8 - 14
Four Seasons - Inspiration of Creation...
Chi Kung... Shiatsu... with Rolando Geider

Rolando Geider studied at the Shiatsu European School in the line of Masunaga Sensei (Zen Shiatsu). Also practices Qi Gong and Reiki. Lives in Malaga.

15 - 21
Zen Meditation Retreat with Shingan (Francis)

24 - 28
Yoga with Juan Carlos Marquez

Practices of Hatha Yoga (Physical Yoga), Bhakti Yoga (Yoga of the Heart), Karma Yoga (Yoga in Action) and Silence Practices.
"Through Yoga the body is adorned with grace, beauty, strength, energy and firmness." YOGASUTRA III, 47
Juan Carlos Marquez of the Sadhana School. Lives in Sevilla.

SEPTEMBER

8 - 11
Holotropic Breathwork & Zen Meditation
with Isabel Marquina, Mariano Cruz Fajardo & Shingan (Francis)

Through a slightly faster and deeper breathing, we reach an altered state of consciousness in which starts an exploration work of our psyche. With the help of our ²Ïnner Healer², we get in touch with those forgotten experiences that left their prints in our ways of perceiving and responding to life.
We will alternate Breathing with some Zen Meditation practice, that is, moments of silent inner alertness, in an attitude of complete presence to what the present moment offers us, without choice or preference, opening to the spaciousness of Here-Now. We would like to let you know that the practice of Holotropic Breathwork can give rise to an important physical or emotional activity. For this reason, the therapy is not indicated in case of pregnancy, heart disease, glaucoma, epilepsy, severe infeccious processes, severe psychiatric disorders, bone fractures and recent surgery interventions.
Isabel and Mariano were trained by Stan Groff and his collaborators. Certified by GTT.

23 - 25
Family Constellations
with Doshin (Ignacio de la Fuente)


Shingan Francis Chauvet is director of Jikô An under the spiritual guidance of Zen Master Hôgen Yamahata.

JIKO-AN
18.460 YEGEN
Alpujarras
(Granada) - SPAIN
Tel: 958.34.31.85.// 958.85.13.44.

Jiko-An is a Zen Meditation Centre located in the Alpujarras, Sierra Nevada (at about 4,500 feet), which was founded by Japanese Zen Master Hôgen Yamahata. Surrounded by silent and spacious mountains, the Mediterranean sea in the distance, it is an ideal place to relax and discover the profundity of our spiritual dimension.

Jikô An is a non-profit making centre. It means that the prices we suggest only cover food and lodging, maintenance, organisation and the teachers’ travel expenses (according to each one’s economical situation):

20 Euros /day, student or unemployed
23 Euros /day, low income
26 Euros /day, high income

Free donation for the activities. We have a donation box at your disposition to help the teachers to keep sharing their practices.

terça-feira, maio 03, 2005

Mergulhar no silêncio... no Porto



Existe um mundo para lá das palavras, dos conceitos e abstracções. Um mundo onde a experiência é directa e indescritível. Aqui o coração fala e a mente escuta. É extremamente simples e muito bonito.

Este retiro é um mergulho no silêncio. Uma oportunidade para despir a superficialidade dos nossos enredos habituais e mergulharmos mais fundo. O elemento transformador da nossa experiência em retiro é a tomada de consciência que se aprofunda a cada instante.

Este processo é facilitado por um programa de actividades:
Através do asana (posturas do yoga) desbloqueamos o corpo, trazendo-lhe vitalidade e bem-estar. A respiração, elo de ligação entre o corpo e a mente, é feita mais consciente com exercícios de respiração. Ao meditarmos, temos a preciosa oportunidade de iluminarmos os aspectos mais subtis da nossa vivência. Igualmente importante, é permitirmo-nos espaço e tempo para simplesmente estar, descontrair, passear, cheirar a terra e abraçar o céu.

Orientação:
Sagarapriya é praticante do budismo e de yoga desde há quinze anos. Foi ordenado na Western Buddhist Order em 1998, durante o período de cinco anos em que viveu com os seus mestres em Inglaterra. Desde então tem também praticado com mestres de outras tradições budistas, tanto no Ocidente como na Ásia.

Trazer: calçado para o campo e para andar dentro de casa. Se tiver, traga o seu tapete de yoga.

Chegada: 10 de Junho, sexta-feira, às 10.00h
Partida: 12 de Junho, domingo, 17.00h

Mais informações "de ordem prática" brevemente

domingo, abril 24, 2005

Atelier de clown

HUMOUR YOUR HUMAN
com Moshe "Yoowho" Cohen
fim-de-semana de 1-3 de Julho em Londres



Um fim-de-semana para largar o controlo do intelecto e religar com o nosso sentido "quase perdido" de brincadeira e humor.
Moshe Cohen representou em eventos como os jogos olímpicos de Barcelona, mas também em campos de refugiados e em comunidades em zonas de conflito. Tem ensinado em escolas de circo na Europa e nos Estados Unidos e em Centros Zen e centros espirituais.


~~solta o palhaço que há em ti :)~~


contacto Dorinda Talbot talbs@dtalbot1.demon.co.uk
http://www.yoowho.org/

Livro

Um livro recente: Emoções Destrutivas e Como Dominá-las, Goleman, Daniel (um diálogo científico com S.S. o DALAI LAMA)

Daniel Goleman é também o autor de Inteligência Emocional.

sábado, abril 23, 2005

Atenção constante

"Convém portanto tomar consciência de que a via espiritual não é de modo algum um enfeite suplementar para o nosso ego. Trata-se de operar em nós uma real transformação, eliminando pouco a pouco o terrível poder que as ilusões têm sobre nós. Estamos muito longe de uma atitude diletante: para levar a bom porto uma busca espiritual é preciso um envolvimento que englobe todos os aspectos da nossa existência. Não basta para isso algumas técnicas de meditação, utilizadas meia hora por dia. Uma vez que a ilusão penetra as nossas mais pequenas reacções, é pois necessário uma atenção de cada instante, antes, durante e depois da meditação."

Do texto O materialismo Espiritual de Tsering Paldrön
http://www.tseringpaldron.net/

Voluntários e vegetarianismo

A Liga Portuguesa dos Direitos do Animais procura voluntários para várias actividades (auxiliar de Veterinário, Webmaster, auxiliar no Departamento de Educação, pessoas para irem falar sobre vegetarianismo às escolas). Entretanto encontrei no site deles um artigo sobre Porquê o vegetarianismo que vale a pena espreitar.

Já agora, outra organização à procura de voluntários para redacção e revisão de artigos, design e programação: ver em http://galaxia-alfa.com/

Contos

Links para dois dos meus contos favoritos. Ouvi-os há anos contados em Bruxelas por um grande contador de histórias, o Fernando Campos (que partiu recentemente para contar histórias noutras paragens) e depois encontrei-os num livro. Mas perdi o rasto do livro e fiquei toda a feliz quando encontrei as histórias na Internet.
A primeira é a história de Jumping Mouse, de que traduzi já uma parte e faz parte das histórias dos índios norte-americanos, e a segunda é a do Mestre de Kung Fu e é uma história sobre um mestre de artes marciais que vem ao Tibete converter os tibetanos à violência da sua arte. São lindas.

quarta-feira, abril 20, 2005

a Gota de Orvalho


O Gauxinim encorajou-o a pôr as mãos no Grande Rio, a provar a água. O anterior Rato Ocupado sentou-se numa pequena Rocha e ficou a olhar durante muito tempo para o Grande Rio. Estava a Amanhecer. Ele sentia-se diferente: fresco, vivo, aberto e sensível. Olhou uma auto-consciente Gota de Orvalho que estava a deslizar da ponta de uma folha para o rio, e quando a sua Admiração Tocou a superfície da Gota de Orvalho, o pequeno Rato ouviu a sua Canção:

"Molhada, pequena Gota de Orvalho
Cintilando ao Sol
A Cair no Rio
Voltando para a Mãe."

"Não te consigo ver. Parecem-me todas iguais."

"A Minha Mãe vai reconhecer-me" disse a Gota de Orvalho, ao ir para Casa.

Ocorreu ao Pequeno Rato, talvez fosse verdade, que o Grande Som do Grande Rio nada mais era que a fusão das Canções de todas as Gotas de Orvalho. Era uma ideia muito poderosa e a sua cabeça ficou um pouco tonta. Mais tarde lamentou não estar atento quando o Guaxinim descreveu três tipos de Gotas de Orvalho, aquelas que Sabem que vão para casa, aquelas que Imaginam que vão para casa, e aquelas que Duvidam que vão para casa.

"Se queres aprender mais, será necessário Abrir o Coração, pois um Coração Fechado será tão afectado pela sabedoria como esta pedra, que embora esteja neste rio há muito Ciclos Lunares, ainda tem um Coração Seco."

(excerto de uma tradução pessoal de um lenda ameríndia)

Seminário em Lisboa

Seminário no próximo fim-de-semana em Lisboa, com Lama Wangmo, que já veio cá ao Porto. Temos o texto da conferência no site da UBP.

A Lama Wangmo, discípula de Lama Denys, é uma das suas mais antigas colaboradoras. Seguiu o Tradicional Retiro de Três Anos, sendo uma das principais responsáveis dos ensinamentos da “VIA do BUDHA” no âmbito do Programa para praticantes do Instituto Karma Ling (Savoie- França).

A Lama Wangmo vai estar em Lisboa de 20 a 26 de Abril, e dará um Seminário subordinado ao tema:

“A alquimia das emoções” (L’ alchimie des emotions).
Este Seminário terá lugar em Lisboa, no Convento das Dominicanas, nos dias 23, 24 e 25 de Abril/2005. O Seminário é não residencial, ou seja, os participantes regressam a casa ao fim do dia.

PROGRAMA
Início no sábado, dia 23 de Abril, às 9h00. No domingo, dia 24 e na segunda-feira, dia 25 (feriado) o Seminário começará à mesma hora. Todos os três dias terminará pelas 19h00.

CONFERÊNCIA
No âmbito deste programa haverá uma Conferência sobre Ecologia, no TERRAÇO (GRAAL), Rua Luciano Cordeiro, 24, 6.ºA - dia 20 de Abril pelas 19h, com Cédric Lèmery. O tema é "Gaia, a terra, um organismo vivo?"

Contactos: Vitória Vaz Pato, TM 91 994 27 73; Marta Cunha Matos, Telf. 21 7741335 ou Maria Luisa d’Orey, Telf.21 230791

terça-feira, abril 19, 2005

Prática da concentração

"O treino na concentração é a prática para tornar a mente firme e segura. Isso traz tranquilidade mental. Usualmente as nossas mentes não treinadas são agitadas e inquietas, difíceis de controlar. A mente segue as distracções dos sentidos de uma forma selvagem, tal como a água a correr por aqui e por ali, à procura do nível mais abaixo. Os agricultores e engenheiros sabem como controlar a água para o uso dos humanos. As pessoas são dotadas, sabem domar a água, constroem grandes reservatórios e canais - tudo isto apenas para canalizar a água de forma a poder ser utilizada. Além disso, a água armazenada torna-se uma fonte de energia eléctrica e de luz - ainda maiores benefícios do controlo do fluxo da água.

Da mesma forma, a mente que é domada e controlada, treinada constantemente, trará imensos benefícios. O Buda ensinou: "A mente que foi controlada traz verdadeira felicidade, portanto treina bem a tua mente para obteres os melhores benefícios".

O treino da mente pode ser feito de muitas maneiras, usando diferentes métodos. O método mais útil e que pode ser praticado por todos os tipos de pessoas é conhecido como "atenção plena na respiração". Trata-se do desenvolvimento da atenção plena na inspiração e na expiração.

A prática da meditação deve ser tão contínua quanto possível para dar frutos. O Buda ensinou-nos a praticar frequentemente, a praticar diligentemente, ou seja, a dar continuidade à prática do treino mental.

Se queres ver por ti mesmo de que é que o Buda falou, olha a tua mente. Examina e vê como os pensamentos e sentimentos vão e vêm. Não te agarres a nada, apenas tem consciência do que quer que seja que haja para ver. Sê natural. Tudo o que fazes na vida é uma oportunidade para praticar. Tudo é Dharma."

Ensinamentos do Venerável Ajahn Chah

A verdade é perfeita e completa em si. Não foi uma coisa descoberta recentemente. Sempre existiu. A verdade não está longe. Está desde sempre presente. Não é uma coisa a atingir pois nenhum dos teus passos te afasta dela.

Mestre Zen Dogen

segunda-feira, abril 18, 2005

Regressar


Porque não há palavras para dizer tudo, uma imagem do retiro deste fim-de-semana com o venerável Ajahn Nyanarato.

Como voltar ao dia-a-dia? não, sei, mas gostava de "ser" mais silêncio. E no entanto sei que há esse lugar. Chama-se "regressar". Ajahn Nyanarato repetiu-o incansavelmente: "come back"

quinta-feira, abril 14, 2005

A força da simplicidade

Ajahn Nyanarato na União Budista do Porto

“Prefere sentar-se na cadeira ou no chão?”, pergunta o anagarika Eduardo. “No chão! No chão!”, afirma Ajahn com um sorriso sereno. Vestido de forma muito humilde, o monge faz-se acompanhar apenas de uma malga onde guarda os sagrados alimentos para o dia. Em posição de flor de lótus, dá as boas vindas a quem vai chegando. Lá fora brilha um sol primaveril. O vento bate nas persianas das janelas, abafando o burburinho de novos e velhos que se acomodam nas almofadas espalhadas pelo chão. Sentados ou de pé, o importante é sintonizar-se com o som das sábias palavras do jovem monge budista. Ajahn Nyanarato falou. E fez-se silêncio. Na sua imagem de simplicidade, mas de força, o monge acalmou os muitos corações ávidos de respostas e ensinamentos, de inquietações espirituais e de procura de sentido nas suas vidas. Falou da sua experiência de monge na Tailândia e no mosteiro Amaravati, em Inglaterra (onde actualmente reside), dos sinais de inquietude do coração, da juventude, das dificuldades dos tempos modernos, do materialismo que não chega para preencher as carências espirituais, de sacrifício, da importância em ser-se humilde, de confiança em si próprio, da necessidade em reflectir, de despojo material... e de meditação. E eis que Ajahn, sempre sorridente, nos convida a meditar. Em posição de asana ou como cada um se sentir mais confortável, os olhos fecham-se por instantes. Ao som da sua voz terna, a mente esvazia-se e o coração fala. “Cada momento é precioso, cada encontro é único. Tudo é como deve ser.”

Paixão e Compaixão

No silêncio da mente, as inquietações manifestam-se e as perguntas ganham forma. Após a breve meditação, quem o sentir, manifesta as suas dúvidas, os seus medos, procurando respostas aos seus porquês. Ajahn, paciente e receptivo aceita a “paixão” de cada um. O que puder fazer para ajudar, Ajahn fará. Afinal, o amor e a compaixão é um dos ensinamentos budistas.

Nos seus mais de 2500 anos de história, o budismo é uma religião devotada a condicionar a mente inserida em seu quotidiano, de maneira a levar a paz, serenidade, alegria, sabedoria e liberdade perfeitas. Seja através da Meditação Zen ou Zazen, das práticas de Metta Bhavana (desenvolvimento do amor e bondade), do Hatha Yoga ou do Qi Gong, o Budismo ajuda a extrair os mais altos benefícios da vida e lembrar as pessoas de que é possível ser-se feliz no amor a si próprio e ao próximo.

Texto enviado por Sandra Batista

P. S. é evidente que a Sandra, ao falar de "condicionar" a mente queria dizer "trabalhar" a mente, e no fundo, exactamente o contrário, descondicionar a mente pois condicionada já é ela :) No Budismo fala-se assim de controlar a mente, de treinar a mente. A prática de atenção plena fundamental no budismo apoia-se em três pontos fundamentais - dana (generosidade), sila (moralidade) e o "trabalho de inquérito" e descoberta propriamente dito, através da meditação. E não, não estou a "ensinar" nada, tento reproduzir o que os mestres dizem mas ao fazê-lo não soa igual. Por isso prefiro deixá-los falar :)

Nas palavras do Buda: "a mente que foi controlada traz verdadeira felicidade, portanto treinem bem as vossas mentes para obterem os maiores benefícios"

segunda-feira, abril 11, 2005

Um momento luminoso


A leveza e a simplicidade de Ajahn Nyanarato.
Mais um momento luminoso. E é bom quando o vivemos juntos.

sábado, abril 09, 2005

A via da Felicidade no Budismo

Monges Theravada em Portugal

‘Assim como o grande Oceano tem apenas um sabor, o sabor do sal, assim também este ensinamento tem um só sabor, o SABOR DA LIBERDADE.’

Pela primeira vez em Portugal, o professor e monge Ajahn Nyanarato reside no mosteiro Amaravati, em Inglaterra - um mosteiro da tradição Theravada sob a responsabilidade de Ajahn Sumedho, conhecido autor e professor. Ajahn Nyanarato nasceu no Japão em 1957 e foi ordenado na tradição tailandesa da Floresta de Ajahn Chah, professor de Ajahn Sumedho. Esteve na Tailândia até 2000, quando veio para o mosteiro Amaravati. Virá acompanhado por um noviço português, Eduardo Novo.

No Domingo dia 10 de Abril, pelas 16h00, dará uma palestra no Porto na sede da UBP Porto, Rua Aníbal Cunha, 39, 2.º sala 3.


De 15 a 17 de Abril Ajahn Nyanarato orientará um retiro no Norte - no Casa de Retiros Santa Paula Frassinetti, R. do Colégio do Sardão, 365 - Oliveira do Douro, V. N. Gaia.

Chegada: sexta-feira dia 15 pelas 18h30
Partida: domingo pelas 16h
Quartos individuais, alguns com casa-de-banho conjunta, refeições vegetarianas
Contribuição: €75
Contacto: 91 7088371

Organização: Gerda Chapuis e delegação do Porto da UBP

terça-feira, abril 05, 2005

Cultivando a Equanimidade

Um texto da sala de estudos de Nalanda.

segunda-feira, abril 04, 2005

mergulhar no silêncio



Existe um mundo para lá das palavras, dos conceitos e abstrações. Um mundo onde a experiência é directa e indiscrítivel. Aqui o coração fala e a mente escuta.
É extremamente simples e muito bonito.

Este retiro é um mergulho no silêncio. Uma oportunidade para despir a superficialidade dos nossos enredos habituais e mergulharmos mais fundo.
O elemento transformador da nossa experiência em retiro é a tomada de consciência que se aprofunda a cada instante.


Este processo é facilitado por um programa de actividades:
Através do asana (posturas do yoga) desbloqueamos o corpo, trazendo-lhe vitalidade e bem-estar. A respiração, elo de ligação entre o corpo e a mente, é feita mais consciente com pranayama (exercícios de respiração). Ao meditarmos temos a preciosa
oportunidade de ilumi-narmos os aspectos mais subtis da nossa vivência. Igualmente importante, é permitirmo-nos espaço e tempo para simplesmente estar, descontrair, passear, cheirar a terra e abraçar o céu. Como suporte para aprofundar a nossa prática, iniciamos um período de silêncio no primeiro dia depois do almoço,
que durará até à mesma hora do último dia. O retiro começa e termina com uma sessão de diálogo em grupo.

Orientação:
Sagarapriya é praticante do budismo e de yoga à quinze anos. Foi ordenado na Western Buddhist Order em 1998, durante o período de cinco anos em que viveu com os seus mestres em Inglaterra. Desde então tem também praticado com mestres de outras tradições budistas, tanto no Ocidente como na Ásia.

Ana Ramos é praticante de yoga, frequenta 4º ano do curso de Formação de Instrutores do Centro Português de Yoga, tem também praticado na Índia com alguns dos mestres mais respeitados do yoga, nomeadamente Sharat (Ashtanga) e Desikachar (yoga terapia).

Onde: Casal de S. Pedro, num centro de retiros muito acolhedor, perto da Tapada de Mafra.

Como lá chegar: Partindo de Lisboa, A8 saída Malveira, entra na Na-cional 8 direcção Torres Vedras, passa Vila franca do Rosário, mais 2km vira à esquerda para Gradil e Tapada de Mafra. Atravessa o Gradil, continua +- 3km vira à direita para Codeçal e Sobral de Abelheira. Passa Codeçal, 3-4 km depois à sua direita é o Casal de São Pedro – um agrupamento de casas cor de areia com telha antiga – chegou! Se chegar a Sobral da Abelheira é porque já passou. Em caso de dúvida ligue: 261 968 345 ou Matilde 91 962 3939

Tempo de viagem: aproximadamente 40mins, a partir de Lisboa

Trazer: calçado para o campo e para andar dentro de casa; tampões para os ouvidos (caso alguém no seu quarto ressone). Se tiver, traga a sua almofada de meditação e o seu tapete de yoga.

Chegada: 23 de Abril, sábado, às 9.00h
Partida: 25 de Abril, segunda-feira, 17.00h


Preço: 140€*
Inscrições: Há um número limitado de 20 lugares disponíveis. As inscrições são asseguradas mediante um depósito de 40 €.

Transferência bancária:
NIB 003300000005784003405

Nº de Conta Millennium 57840034
Titular: Gonçalo Pereira

Mais informações:
Ana Ramos 916004214
Sagarapriya 916994740
sagarapriya@fastmail.fm


*Praticantes associados à União Budista Portuguesa podem optar pelo regime de Dana (Generosidade), pagando só o preço da logística - 90€, e oferecendo um donativo aos orientadores.

Não causar dano

"Tendo desenvolvido alguma fé e confiança na possibilidade de despertar, somos agora confrontados com uma questão muito pragmática: “O que é que eu faço?” O Buda respondeu a esta questão com uma simplicidade incisiva e desarmante: “Não causes dano, pratica o bem, purifica a tua mente. Este é o ensinamento de todos os Budas.”
(...)
Toda a viagem espiritual repousa na moralidade de não causar dano. Esta é a expressão do amor e cuidado que sentimos pelos outros e por nós mesmos. Sem esta base, a sabedoria não perdura. Especialmente em tempos de mudança de valores como o nosso, a importância da integridade e responsabilidade pessoal precisa de ser rearticulada uma vez e outra, de forma a não nos perdermos na confusão dos nossos desejos. O nosso desafio é dar a esta interrogação sobre os valores morais um sentido mais profundo, dar-lhe vitalidade, e fazê-lo sem nos tornarmos moralistas, preconceituosos e divisionistas.

De um ponto de vista budista, todos os preceitos morais são regras de treino, não mandamentos. Tomámo-los como uma forma de treinar o nosso coração, em atenção por nós mesmos e o mundo, e não como regras expostas externamente. Esta é uma distinção importante, pois permite-nos olhar para as nossas vidas e acções sem culpa e sem uma auto-crítica inibidora e ao mesmo tempo permite-nos assumir conscienciosamente a responsabilidade por aquilo que fazemos.

Todos queremos ser felizes, contudo, muitos não têm a mínima ideia do que leva à felicidade genuína. Ninguém quer sofrer, mas saberemos como abandonar as acções que apenas conduzem ao sofrimento? Diz-se que o que mais comoveu o Buda depois da iluminação foi ver pessoas à procura da felicidade, e contudo a fazerem precisamente tudo o que traz sofrimento. Há uma oração tibetana que diz: “Que tenhas a felicidade e as causas da felicidade. Que estejas livre do sofrimento e das causas do sofrimento”. Se quisermos ser felizes, temos de entender as causas e condições que conduzem à felicidade; temos de alinhar as nossas acções com as nossas aspirações. Esta compreensão é o presente compassivo que o Buda nos legou porque nos recorda a lei do karma, recorda-nos que somos herdeiros das nossas próprias acções."

Joseph Goldstein, Um Dharma

CULTURA TIBETANA: Um Paradigma?

"Numa época de crise, questionamento e mutação de mentalidades, valores e paradigmas, numa era de diálogos inter-disciplinares e inter-religiosos à escala planetária, a cultura tibetana, na sua dupla vertente – as tradições Bön e Budista - , tem vindo a surgir como um dos privilegiados novos interlocutores da cultura ocidental, no domínio religioso, filosófico, científico e artístico." Este é o tema de um Colóquio internacional na Faculdade de Letras de Lisboa, a realizar a 28 de Abril. Mais notícias aqui!

segunda-feira, março 28, 2005

Zen, mulheres e Budismo

ZEN, WOMEN, AND BUDDHISM

Sessão de zazen

Mais um horário de meditação zen: quartas às 19h.


©UBP Porto

Entretanto, já agendámos com o Sagarapriya, recém chegado da Índia e da Birmânia, um retiro para o fim-de-semana de 10 de Junho :)
O primeiro retiro organizado pela UBP Porto foi exactamente o orientado por ele, em Junho do ano passado. Fotos para recordar!

domingo, março 27, 2005

Sesshin e limões


E estamos com sorte porque a sensei gosta dos nossos limoeiros :)
She will come back.

Porto seguro

Como falar de ir e voltar, de naufragar e encontrar um porto seguro. Tecido de palavras nuas, de âncoras e de firmamentos. Vacilar e arriscar. Estar presente, ouvir totalmente, ser íntegro.

Tocar a mente.
Sesshin.

sexta-feira, março 25, 2005

Generosidade do coração

"Por vezes nas nossas vidas encontramos pessoas que parecem radiar sentimentos de amor e de bondade genuínos. Quando estamos com pessoas assim, fazem-nos sentir que naquele momento somos as pessoas mais importantes no mundo, não por causa de quem somos ou do que fizemos, mas simplesmente porque somos um seu semelhante.



Esta qualidade especial de amor e bondade (metta) é a generosidade e a abertura do coração que simplesmente deseja que todos os seres sejam felizes. Metta não procura benefício pessoal. Não é oferecida com a expectativa de receber algo em troca. E porque não está dependente de condições externas, das pessoas serem ou comportarem-se de uma certa maneira, não está facilmente sujeita à decepção. Quando metta se torna mais forte, sentimo-nos mais abertos aos outros, mais abertos a nós mesmos, com benevolência e bom humor.

Os primeiros versos do Karanyia metta sutra, o discurso do Buda sobre o Amor/Bondade diz exactamente como preparar o terreno para desenvolver e aprofundar este tipo de amor:

Isto é o que deve ser feito por aquele que é hábil nos seus propósitos,
que quer progredir para o estado de paz:
Ser capaz, correcto e sincero,
fácil de ser instruído, gentil e sem arrogância,
satisfeito e fácil de ser sustentado,
com poucas obrigações, vivendo de maneira simples,
com as faculdades em paz, um mestre,
modesto, e sem cobiça por benfeitores.
(...)
Como uma mãe arriscaria sua vida
para proteger o seu filho, seu único filho,
da mesma forma, com relação a todos os seres,
cultiva um coração sem limites.
Com boa vontade para todo o universo,
cultiva um coração sem limites.

Não chega pensar que o amor é uma boa ideia. Há algum trabalho a fazer, alguma atenção a ser dispensada. Precisamos de o expressar na forma como lidamos com as pessoas. Ser “capaz, correcto e sincero” significa estar comprometido com uma honestidade e simplicidade básicas, falando e agindo sem enganar e sem segundos motivos. Ser “fácil de ser instruído e gentil” significa ser abordável e na verdade fazer da gentileza e da facilidade a nossa prática na forma de estarmos com os outros. E não ser orgulhoso lembra-nos do verdadeiro sentido da humildade, que não é uma submissão, mas em vez disso a falta de egocentrismo: “A verdadeira humildade é a ausência de alguém para se orgulhar” (Wei Wu Wei)"

Joseph Goldstein, One Dharma

Impregnar o mundo

"Bikkhus, estes são os 5 tipos de discurso que outros podem usar quando se vos dirigem: as palavras podem ser oportunas ou não, podem ser verdadeiras ou falsas, gentis ou ásperas, relacionadas com o bem ou com a maldade, ou ditas com um estado mental bondoso ou odioso... Posto isto, Bikkhus, devem treinar-se desta forma: as nossas mentes permanecem não afectadas, não usaremos palavras inábeis, devemos permanecer compassivos quanto ao bem-estar dos que se nos dirigem, com uma mente bondosa. E a começar com o nosso interlocutor, impregnemos o mundo com uma mente imbuída de amor/bondade – abundante, exaltada, incomensurável, sem hostilidade, sem rancor."

Palavras do Buda citadas por Joseph Goldstein

terça-feira, março 22, 2005

Sesshin

Sesshin "tocar a mente"
cada acção é a continuação do zazen: concentrar-se em cada gesto,
viver plenamente o instante presente


"Os professores abrem a porta, mas tens de entrar por ti próprio"

Local: Casa de Retiros de S. José CERNACHE (Coimbra)
Chegada: Sexta-feira dia 25 de Março pelas 17h
Despedida: Domingo dia 27, depois do almoço

Workshop

Domingo à tarde. A oficina de introdução à meditação teve muito da nossa experiência pessoal, e foi giro fazê-lo desta maneira: a várias vozes. Ouvir o Nuno foi uma revelação (a Sónia e a Cláudia claro que já conhecia:=) Também houve lugar para "brincar" com as taças:

sábado, março 19, 2005

Sandokai - A Identidade do Relativo e do Absoluto


Estive a rever a nossa tradução para a ler depois da sessão de zazen de hoje:

A mente do grande sábio da Índia
é intimamente transmitida de Oeste a Este.
Enquanto entre os seres humanos há sábios e tolos
na Via não há patriarcas do Norte ou do Sul.
A fonte espiritual é clara e luminosa,
os afluentes correm através da escuridão.
Apegar-se às coisas é ilusório,
encontrar o absoluto não é ainda a iluminação.
Um e Todos, as esferas subjectiva e objectiva,
estão relacionados e ao mesmo tempo independentes.
Estão relacionados mas trabalham de modo diferente,
cada um mantém o seu próprio lugar.
O carácter e a aparência variam na forma,
os sons distinguem-se entre harmoniosos e desagradáveis.
A obscuridade faz as palavras iguais,
a luz distingue as frases boas e más.
Os quatro elementos retornam à sua natureza
tal como uma criança para a sua mãe.
O fogo é quente, o vento move-se,
a água é líquida, a terra sólida.
Os olhos vêem, os ouvidos ouvem,
o nariz cheira, a língua saboreia o salgado e o doce.
Cada um é independente do outro
como folhas nascidas da mesma raiz,
causa e efeito devem regressar à grande realidade.
As palavras alto e baixo são usadas de modo relativo.
Na luz existe a escuridão
mas não tentes compreender essa escuridão,
na escuridão existe a luz
mas não procures essa luz.
Luz e escuridão formam um par,
como o pé adiante e o pé atrás ao andar.
Cada coisa tem o seu valor intrínseco
e está relacionada com tudo o resto em posição e função.
O relativo e o absoluto ajustam-se
como uma caixa e a sua tampa.
O absoluto funciona em conjunto com o relativo
como duas flechas que se encontram em pleno ar.
Ao ler as palavras deves perceber a grande realidade.
Não julgues por quaisquer critérios.
Se não vês o caminho
não o vês mesmo ao andares nele.
Quando percorres a Via
não estás perto nem longe.
Mas se andas iludido estarás a rios e montanhas de distância.
Digo respeitosamente, aos que querem a iluminação,
de dia ou de noite, não percam tempo.

Sekito Kisen (700-790)

imagem de Bamboo in the wind

O que é o amor?

Uma sugestão: ouvir a palestra de Ajahn Brahmavamso, "What is love?" no site do Buddha Net. Ajahn Brahmavamso conta como a frase que mais o marcou foi a que uma vez o pai lhe disse: "não importa o que tu faças, a porta da minha casa está sempre aberta para ti". A porta da minha casa, a porta do meu coração. Deveríamos dizer isto mais vezes às pessoas.

sexta-feira, março 18, 2005

Ficheiros audio

Ontem e hoje "entretive-me" a ouvir conversas sobre o Dharma em ficheiros audio - alguns dos links que usei:
Buddha Net Audio
www.dharmastream.org
www.audiodharma.org
Zen Satsang - ver em "teachings"
Ao mesmo tempo, leio o livro de "cânticos" do Rochester Zen Center: O cântico Zen é basicamente outra forma de zazen, diferindo assim dos cântico de outras tradições espirituais. A consciência do sentido das palavras não é importante - esse sentido é absorvido a um nível subconsciente. De primeira importância é o estado mental criado pelo canto, nomeadamente, unidade absoluta até ao ponto do esquecimento de si mesmo.
"Sei" que é assim.

quinta-feira, março 17, 2005

Acordar

Profunda é a questão do nascimento e da morte
A vida desliza rapidamente
O tempo não espera por ninguém
Acorda! Acorda!
Não desperdices um momento


do livro de orações de Rochester Zen Center

Trabalhar com as emoções

Um dos meus sites favoritos, com artigos sobre as emoções: Working on Delusions - Introduction.
Os artigos que continuam esta introdução - Anger, Attachment, Guilt, Lack of Self-Confidence, Depression, Fear, Other Delusions

Budismo e vegetarianismo

Textos, ensaios sobre o vegetarianismo do ponto de vista budista: Buddhist Resources on Vegetarianism and Animal Welfare (em inglês)

Porquê a meditação?

No próximo domingo, às 15h30, Workshop de introdução à meditação para principiantes na UBP Porto:
- Postura e exercícios de flexibilidade próprios para meditantes
- Breve introdução teórica e prática de Atenção Plena da Respiração
- Outra forma de meditação com suporte: o som
- Metta Bhavana – o desenvolvimento do amor e bondade

Arte de respirar


O Yoga é uma prática milenar que conduz à harmonia e simplicidade.
Terças-feiras às 18h30 na UBP Porto - orientação de Lucinda Sameiro

segunda-feira, março 14, 2005

Monges Theravada em Portugal

Monges Theravada em Portugal, notícia na Fundação Maitreya.

quinta-feira, março 10, 2005

Os dois acessos ao Caminho

Muitas são as vias que conduzem ao Caminho, mas basicamente há apenas duas: a via da sabedoria ou a via da prática. Aceder ao Caminho pela sabedoria significa aceder à essência através das escrituras e acreditar que todos os seres sensíveis compartilham da mesma natureza verdadeira. Esta natureza só não é manifesta porque se encontra obscurecida pelas sensações e a ilusão. Os que abandonam a ilusão em busca da realidade, que meditam na ausência do eu e do outro, na não-dualidade entre o mortal e o sábio e que se conservam inabaláveis, mesmo diante das palavras, estão em completa e não-dizível harmonia com a Sabedoria. Para lá da acção, para lá do esforço, entram no Caminho pela Sabedoria.

Entrar através da prática refere-se às quatro condutas que incluem toda a acção: sofrer a injustiça, adaptar-se às condições, nada desejar, praticar o Dharma.

Primeiro, sofrer a injustiça: quando os que procuram o Caminho encontram condições adversas, deverão pensar assim: "Durante incontáveis eras desviei-me do essencial para procurar o trivial, vagueei por todas as formas de existência, muitas vezes odiei sem razão e criei as situações mais negativas. Mesmo que nesta vida não pratique nenhum mal, vou sofrer as consequências das acções prejudiciais do passado. Nem os deuses nem os homens podem prever quando uma acção nefasta produzirá o seu fruto. Aceito os males que daí advierem com boa vontade e paciência, sem me lamentar. Nos sutras é dito: “quando te encontras face à adversidade, não te perturbes, pois há um sentido para as coisas”. Tal compreensão revela Sabedoria e pelo sofrimento entras no Caminho.

Segundo, adaptar-se às condições: enquanto seres sensíveis somos regidos pelas condições, não por nós mesmos. Todo o sofrimento e alegria que experienciamos estão dependentes de condições. Se somos recompensados com a fama ou a riqueza, estas são o fruto de uma semente cultivada no passado. Esgotada a força das acções, estes resultados positivos terminam. Por que, então, alegrar-me com eles? Mas enquanto o sucesso ou o fracasso dependem de condições, a Mente não cresce nem diminui. Os que não vacilam perante o vento do prazer seguem silenciosamente o Caminho.

Terceiro, nada desejar: os seres deste mundo vivem na ilusão. Sempre a ansiar por algo, sempre à procura. Mas os sábios despertam. Preferem a sabedoria aos hábitos. A mente repousa no não-criado, enquanto o corpo se move de acordo com a impermanência. Todos os fenómenos são vazios. Não contêm nada que valha a pena desejar. A desgraça alterna com a fortuna. Permanecer no Samsara é permanecer numa casa em chamas. Ter um corpo é sofrer. Será que alguém que possui um corpo conhece a paz? Os que entendem esta verdade nunca se apegam a nada e deixam de procurar ou esperar algo . Assim dizem os sutras: "Quando há o desejo, há o sofrimento. Com a cessação do desejo vem a felicidade". Nada desejar é estar a caminho.

Quarto, praticar o Dharma: o Dharma é intrinsecamente a verdade de que todas as naturezas são puras. Através desta verdade, todas as aparências se manifestam como vacuidade. Máculas e apegos, o eu e o outro não existem. Dizem os sutras: "No Dharma não há seres, pois ele está livre da mácula do ser. No Dharma não há ego, pois ele está livre da mácula do ego". Os que são suficientemente sensatos para compreender e confiar nestas verdades praticam de acordo com o Dharma. E como tudo o que é real não é digno de inveja, fazem oferenda do corpo, vida e bens, sem remorsos, sem a vaidade do doador, do que é dado ou do que recebe, sem parcialidade ou apego. Para limpar os obscurecimentos ensinam os outros, mas sem se apegarem à forma. Deste modo através da própria prática podem ajudar os outros e prestar homenagem ao Caminho da Iluminação. Da mesma forma que praticam a generosidade, também praticam as outras virtudes. Mas praticam-nas sem esperar pelos resultados. Isto é o que significa "praticar o Dharma".

(Ensinamento atribuído a Bodhidharma)
tradução da UBP Porto a partir da versão inglesa: Outline of Practice

quarta-feira, março 09, 2005

A mente

"Esta mente é o Buda. Não falo sobre preceitos, devoções ou práticas ascéticas como a imersão na água e no fogo, pisar uma roda de facas, comer uma refeição por dia ou nunca se deitar. Estes são ensinamentos fanáticos e provisórios. Uma vez que reconheças a tua natureza, sempre em movimento e milagrosamente consciente, verás que essa natureza é a mente de todos os Budas".

Esta mente é descrita por Bodhidharma, o primeiro patriarca do Zen Chinês, como, desde tempos sem começo, nunca ter mudado. "Nunca viveu ou morreu, apareceu ou desapareceu, cresceu ou diminuiu. Não é pura nem impura, boa ou má, passado ou futuro. Não é verdadeira nem falsa. Não é macho ou fêmea. Não surge como um monge ou um laico, um ancião ou um noviço, um sábio ou um louco, um buda ou um mortal. Não procura a realização e não experimenta o karma. Não tem solidez ou forma. É como o espaço. Não o possuis e não o perdes. Os seus movimentos não podem ser bloqueados por montanhas, rios ou rochas. Nenhum karma pode restringir este corpo real. Mas esta mente é subtil e difícil de ver. Não é o mesmo que a mente dos sentidos. Todos querem ver esta mente e os que movem os pés e as mãos à sua luz são tão numerosos como as areias do Ganges, mas quando lhes perguntas, não conseguem explicá-la. Pertence-lhes e usam-na. Mas porque não a podem ver?... Só os sábios conhecem esta mente, esta mente chamada natureza do dharma, esta mente chamada libertação. Nem a vida nem a morte a pode libertar. Nada pode. Também se chama o Imparável Tathagata, o Incompreensível, o Eu Sagrado, o Imortal, o Grande Sábio. O nome varia mas não a essência."

Citações traduzidas livremente de The Zen Teaching of Bodhidharma
Imagem: Daruma, por Hakuin Ekaku (1685-1768) de http://www.shambhala.com/zenart/

domingo, março 06, 2005

Retiro na Ramallosa

A indispensável foto de grupo:


Retiro na la Ramallosa orientado por Lama Antonio - com a participação de portugueses e galegos - gente linda, não é?

sexta-feira, março 04, 2005

Treino de Chi Kung

O Qi Gong/Chi Kung é uma arte milenar chinesa de treino a nível de energia. É um sistema de meditação em movimento, que afecta directamente o sistema fisiológico e ajuda a equilibrar os centros de energia vital (meridianos), prevenindo e curando as doenças e aumentando a tranquilidade e a concentração mental. Tem como objectivo a harmonia entre o ser físico e espiritual e pode ser praticada por qualquer um, independentemente de raça, cultura e religião.

Mas como tudo, só experimentando é que podemos saborear esta arte. Amanhã, sábado às 16h30, e na próxima terça-feira às 19h30, possibilidade de um aula gratuita sob a orientação do Professor Paulo Fernandes - na UBP Porto, rua Aníbal Cunha, 39, 2.º sala 3.

quinta-feira, março 03, 2005

Retiro ZEN


Casa de Retiros de S. José - tem uma quinta e uma mata

SESSHIN - Retiro ZEN

~fim-de-semana da Páscoa~ de 25 a 27 de Março
será orientado por Amy Hollowell Sensei, a primeira sucessora de Roshi Catherine Genno Pagès. Amy Hollowell nasceu em Minneapolis, nos Estados Unidos, em 1958. Emigrou para França em 1981 no final dos seus estudos universitários. Actualmente é jornalista num quotidiano internacional com sede em Paris. É também poeta - os seus poemas foram publicados nos Estados Unidos e na Europa. Começou a estudar o Zen com Catherine Pagès em 1993 e ensina sob a sua direcção desde o ano 2000. Recebeu a transmissão do Dharma em 2004.

Local: Casa de Retiros de S. José CERNACHE (Coimbra)
Chegada: Sexta-feira dia 25 de Março pelas 17h
Despedida: Domingo dia 27, depois do almoço
Preço: inscrição - € 25 (para participação nos custos da viagem de Sensei) + €65 para o alojamento em quarto duplo (possibilidade de algumas pessoas ficarem sozinhas) e refeições vegetarianas

quarta-feira, março 02, 2005

workshop de meditação

O workshop é pensado para principiantes, e começará com uma introdução à postura complementada com exercícios que ajudam à flexibilidade. E, claro, haverá uma breve componente de introdução teórica aos vários tipos de meditação - para além da prática, claro. A data é que foi adiada. Pensamos que será no domingo dia 20 de Março pelas 15h30.

domingo, fevereiro 27, 2005

Encontros

Estivemos no Centro Fé e Cultura da Universidade de Aveiro na quarta-feira, dia 23, para uma conferência com o tema "Budismo: história e cultura". E na quinta-feira seguinte, dia 24, participámos num encontro inter-religioso realizado no Hospital de S. João sobre Saúde e... Religião.

Estas coisas são engraçadas, mas agora voltamos a virar-nos para um trabalho menos "visível"... e praticar!

Daqui a duas semanas faremos um workshop de introdução à meditação. Dia 13 de Março, às 15h30.

Por fim a alegria de saber que não há felicidade no mundo

Um desabafo: estou em ponto de rebuçado para este novo texto do Acesso ao Insight: Por fim a alegria de saber que não há felicidade no mundo

sábado, fevereiro 26, 2005

Os Chacras


Os chacras (ou chakras), palavra de origem sânscrita que significa "roda", são centros de energia subtil (prana, kundalini) situados no corpo energético humano, que em certas tradições esotéricas se designa como corpo astral.

Os sete chacras principais descritos pela tradição do Yoga da Kundalini indiano distribuem-se através do sushumna, o principal canal de energia subtil, localizado ao longo na coluna. De cada chacra irradia um número específico de canais de energia (nadi). Estes centros são também descritos como campos de consciência e são frequentemente representados como flores de lótus com um variado número de pétalas que corresponde ao número de nadis que daí brotam. Segundo a tradição yogi, estas flores de lótus têm um movimento circular, por isso a impressão de uma roda, de um turbilhão de energia. Algumas das práticas do yoga, que incluem meditação e exercícios de respiração, visam despertar a energia alojada no primeiro chacra – a kundalini, simbolizada por uma serpente – que activa os centros seguintes, um após outro até chegar ao sétimo. De acordo com o sistema do yoga da kundalini, cada chacra corresponde a propriedades psico-físicas específicas, expressas através de formas, símbolos, sílabas, sons e divindades diferentes. Ao serem activados, dão origem a estados de beatitude, fazendo o yogi experienciar diversos poderes psíquicos (siddhi) e formas particulares de conhecimento.

O primeiro chacra (chacra Muladhara) fica situado na base do sushumna, entre a raiz dos órgãos genitais e o ânus. É neste chacra que no ser não iluminado repousa a kundalini, ou poder da serpente, que fornece energia aos outros chacras. Deste centro irradiam quatro nadis, representados por quatro pétalas de lótus. A forma simbólica correspondente é o quadrado, a cor é o amarelo, a sílaba germe associada é lam, o animal é um elefante com sete trombas e as divindades são Brama e a sua shakti, Dakini. Este chacra está ligado ao elemento terra, ao siddhi da levitação e ao conhecimento do presente, do passado e do futuro.

O segundo chacra (Svadhisthana) situa-se no canal sushumna no ponto correspondente à raiz dos órgãos genitais. Do seu centro irradiam seis nadis. A forma simbólica é a meia-lua, a cor, o branco, a sílaba germe é vam, o animal é o crocodilo e a divindade associada é Vishnu, com a sua shakti Rakini. Este chacra está ligado ao elemento água, ao conhecimento intuitivo e à mestria dos sentidos.

O terceiro chacra (Manipura), reside na região do umbigo e está ligado ao centro físico do plexus solar. Deste chacra irradiam dez nadis. A forma simbólica é o triângulo, a cor é o vermelho, a sílaba germe é ram, o símbolo animal é o carneiro, as divindades que o regem são Rudra e Lakini. Está ligado à mestria do elemento fogo e o siddhi correspondente permite a descoberta de tesouros escondidos.

O quarto chacra (Anahata) reside na região do coração. Deste centro irradiam quinze nadis. A forma simbólica é a estrela em duplo triângulo, a cor é o azul, a sílaba germe é yam, o animal associado é a gazela e as divindades que aí presidem são Isha e Kakini. Está ligado ao elemento ar, ao amor cósmico, e o siddhi correspondente permite voar no espaço e ser capaz de entrar noutros corpos.

A estes quatro chacras inferiores seguem-se os chacras superiores responsáveis por canalizar a kundalini para universos espirituais. O quinto chacra (Vishuddha) situa-se na parte inferior da garganta e é o centro do elemento éter. Deste centro irradiam dezasseis nadis. A forma simbólica é o círculo, a cor é o branco, a sílaba germe é ham, o animal é o elefante com seis trombas, as divindades associadas são Sada-Shiva e a deusa Shakini. Este nível está ligado à mestria do verbo e à imortalidade.

O sexto chacra (Ajña) corresponde ao espaço entre as sobrancelhas, conhecido nas tradições esotéricas ocidentais como “terceiro olho”. Daí irradiam dois nadis. A cor correspondente é um branco leitoso, a sílaba germe é a, as divindades associadas são Parama-Shiva na forma de Hamsa e a deusa Hakini. Este chacra é considerado o centro da consciência. A este nível obtém-se a libertação do círculo das existências.

O sétimo chacra (Sahasrara) está localizado acima da fontanela, a coroar o sushumna, é o "lótus das mil pétalas" devido ao incontável número de nadis que daí irradiam. Fisicamente corresponde à região do cérebro, a sílaba germe é om, representa a totalidade de todas as sílabas germe e de todos os chacras. Pertence a um nível de realidade superior a todos os outros chacras e a sua luz é descrita como a de “dez milhões de sóis”. É o centro da consciência cósmica e aí reside o deus Shiva. Representa a beatitude, a consciência e o conhecimento supremos.

Embora desenvolvido pelo Hinduísmo, o sistema dos chacras também representa um papel importante no Budismo, especialmente na tradição Vajrayana do Budismo Tibetano. No Budismo o sistema dos chacras é basicamente o mesmo do Yoga da Kundalini, mas o simbolismo é retirado da iconografia budista e a prática de meditação baseada neste simbolismo diverge significativamente da Hindu.

Página relacionada:
http://www.kheper.net/topics/chakras/chakras.htm
imagem de http://www.reikiisenergie.nl/photo.htm

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Grupo de Debate

Fica aqui a sugestão para o tema a debater.

Quantos monges Zen são necessários para mudar uma lâmpada?

terça-feira, fevereiro 22, 2005

ao volante...

Numerosos são aqueles que passam longas horas nos seus carros. Assim, como isso faz parte de nosso quotidiano, podemos integrá-lo ao nosso caminho espiritual. Todavia, por razões evidentes, não será necessário fechar os olhos quando estamos a conduzir ou se estamos presos na complicação do trânsito. Não obstante, é possível usarmos técnicas meditativas e práticas espirituais para melhorar a nossa condução, permanecendo calmos e concentrados, ainda que tenhamos a impressão de viver no caos.

No espaço exíguo do nosso automóvel, criemos uma atmosfera que nos seja pessoal. Lembremo-nos do enigma do mestre zen: "Como vemos Buda ao volante de nosso carro?" Elaboremos a nossa própria meditação automotiva natural que corresponda melhor ao nosso estado mental de condutor. Pela minha parte, eis como procedo:

Começamos por três inspirações:
Inale profundamente.
Inspirar, expirar.
Ser atento
Inspirar de novo, relaxar.
Relaxar um pouco mais,
Relaxar a tensão,
Tudo o que nos pressiona e oprime.

As nossas mãos estão crispadas ao volante?
Não estamos a ir depressa demais?
O nosso rosto está tenso?
As nossas costas estão contraídas?
E o que dizer do nosso pescoço?
O estômago um pouco travado, talvez?
A respiração curta? O peito oprimido?
Respirar, relaxar, sorrir,
Então aproveitemos o passeio.
Recostemo-nos no assento.
Relaxemos,
Experimentemos plenamente a experiência presente

Aqui e agora,
Simplesmente estar sentado e conduzindo a nossa viatura.

Seguimos a nossa rota
Aquela que nos conduz para nós.
Estejamos presentes
Para nós, com facilidade
Próximo de tudo que nos é familiar.

É possível introduzirmos o sagrado na nossa vida adaptando esta meditação a todas actividades às quais nos entregamos regularmente.


Do livro "Eveillez Votre Spiritualité"
de Lama Surya Das

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Parar

Parar, Acalmar-se, Descansar e Curar-se, de Thich Nhat Hanh. Um texto excelente sobre samatha.

Kyabjé Trulshik Rinpoche

Email acabado de receber da Casa do Tibete:

A Songsten - Casa da Cultura do Tibete e a União Budista Portuguesa têm a alegria de anunciar a vinda de Kyabjé Trulshik Rinpoche a Portugal. S. S. Kyabjé Trulshik Rinpoche é um dos Lamas mais importantes da nossa época e um dos Mestres mais eruditos e respeitados na tradição do budismo tibetano. Durante a sua visita ao nosso país Rinpoche irá dar ensinamentos no Algarve e uma conferência pública em Lisboa.

Programa da Visita:
26 de Fevereiro 2005 – Ensinamento público no Algarve
Local : Centro de Retiros de Karuna, Monchique
Hora : 15.00 h
Contribuição : 7 Euros
Contacto : 912221857

2 de Março de 2005 – Conferência pública em Lisboa
Local : Hotel Altis – Sala Petrópolis, Rua Castilho, nº 11 Lisboa
Hora : 18.30 h
Contribuição : 10 Euros
Contacto : 965380336 / 213634363

Uma real indisponibilidade financeira não é impeditiva de particip

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A cura

O milagre não é andar sobre a água. O milagre é andar sobre a terra no momento presente. A paz está em todo o lado à nossa volta – no mundo e na natureza – e em nós – no nosso corpo e no nosso espírito. Quando aprendermos a tocar essa paz, seremos curados e transformados.

Thich Nhat Hanh, Bouddha vivant, Christ vivant

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Inter-ser

Diz-se nos Salmos: “Não tenham medo e saibam que sou Deus”. “Não ter medo” significa estar em paz e concentrado. O termo budista é samatha, a pacificação do espírito (a paragem, a calma e a concentração). “Saber” significa adquirir a sabedoria, a visão profunda ou a compreensão. O termo budista é vipasyana (compreensão, olhar profundo). “Olhai profundamente” significa observar alguém ou alguma coisa com uma concentração tal que a distinção entre aquele que observa e aquele que é observado desaparece. O resultado é a compreensão da verdadeira natureza do objecto.



Quando contemplamos o coração de uma flor, podemos aí ver as nuvens, o sol, os minerais, o tempo, a terra e todo o cosmos. Sem as nuvens, não poderia haver chuva e a flor não poderia existir. Sem o tempo, a flor não poderia desabrochar. Na realidade, a flor é inteiramente feita de elementos não-flor; ela não tem existência independente, individual. Ela “inter-é” com tudo o que está no universo.

Thich Nhat Hanh, Bouddha vivant, Christ vivant
Foto ©Calica 2004

RETIRO EM VIGO

~ de 4 a 6 de Março ~ o retiro é orientado por Lama Neldjorpa Antonio, do Instituto Karma Ling; o centro fica situado em RAMALLOSA, a uns 15 ou 20 minutos de Vigo na direcção a Baiona, pela costa. Levar almofada de meditação, uma manta ou tapete de meditação e meias grossas pois o chão é frio. Para os que forem de comboio, a estação de autocarro em Vigo está a 2 km (aproximadamente) da estação de comboio, e saem autocarros com direcção a Baiona (a passar pela Ramallosa) cada meia hora. A empresa chama-se ATSA. Ao chegar a Ramallosa pode-se perguntar pelo convento das Damas Apostólicas, ou pela piscina municipal, ou pelo centro comercial, que tudo está próximo. O lugar é pequeno e toda a gente conhece os locais.
Preço:
todo o retiro (chegada sexta às 21h): 70 €
só o sábado: 45 €
sábado e domingo: 58 €
Mais informações: Joaquin y Maria Josè Calviño - email: orquidea8888@hotmail.com

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Kyabje Trulshik Rinpoche em França


Sábado 12 Março 2005 (a partir das 14h30)
Domingo 13 Março 2005
Sala Polyvalente 24580 PLAZAC (France)
http://www.chanteloube.asso.fr

Workshop no Akasha

O Carnaval: Das Origens na Grécia até aos dias actuais
Este workshop será dado pela Dra. Patricia Mendes e abordará o tema da origem do Carnaval remontando às dionisíacas gregas e à origem do teatro, máscaras e danças. Será abordada também a obra de Mikhail Baktin sobre a carnavalização na literatura e na arte.
19 de Fevereiro de 2005
das 15h - 18h
50 euros

AKASHA
Rua Adolfo Casais Monteiro, 45
4050-014 Porto
Tlm: 93 64 44 869

Za


domingo, fevereiro 13, 2005

Maitri e Karuna

"Quando as pessoas falam de amor, referem-se habitualmente ao que existe entre pais e filhos, marido e mulher, membros de uma mesma família, casta ou país. Como a natureza de um tal amor depende das noções de "eu" e de "meu", esse sentimento permanece ao nível do apego e da discriminação. As pessoas querem amar apenas os seus pais, o seu esposo, os seus filhos, os seus netos, os seus avós, os membros da sua família ou os seus compatriotas. Mantendo-se prisioneiros do seu apego, preocupam-se com os acidentes que podem atingir os seus entes queridos, antes ainda de eles se produziresm. Quando tais catástrofes se produzem, sofrem terrivelmente. O amor baseado na discriminação gera preconceitos. As pessoas tornam-se indiferentes ou mesmo hostis, aos que ficam de fora do seu próprio círculo amoroso. O apego e a discriminação são causadores de sofrimento para nós próprios e para os outros.

O amor a que todos aspiram sinceramente é feito de bondade e de compaixão. Maitri é o amor que pode trazer felicidade aos outros. Karuna é o que faz desaparecer o sofrimento dos outros. Maitri e Karuna não pedem nada em troca. O campo de acção da bondade e da compaixão não se limita aos pais, à esposa, aos filhos, aos membros da família, ou da mesma casta ou aos compatriotas. Estende-se a todas as pessoas e a todos os seres. Em Maitri e Karuna, não há discriminação, nem "eu" e "não-eu". E sem discriminação não há apego. Maitri e Karuna dão felicidade, aliviam o sofrimento e não causam infelicidade nem desespero."

- palavras do Buda segundo Tich Nhat Hanh: excerto lido durante o seminário deste fim-de-semana


Tsering Paldrön durante o seminário "Amor e Apego - como distinguir?"

foto ©UBP 2005

Dia de Sol

o primeiro dia do ano do Galo de Madeira passámo-lo em Caminha... a investigar um possível centro de retiros... mas não só



fotos ©MC 2005

Mais fotos

Lama Lobsang na UBP Porto:
- já passou uma semana mas ainda nada se esbateu - e não é verdade que se fechar os olhos não te consigo ver, vejo-te perfeitamente






fotos ©UBP 2005

Som

O workshop do passado fim-de-semana sobre Tsa-Lung foi intenso... mas com momentos de relaxamento, com a magia das taças tibetanas...

foto ©UBP 2005

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

I love you too


foto ©UBP 2005

I love you


A melhor medicina é a felicidade e o amor

foto ©UBP 2005

Perdidos & Achados

Após a conferencia com o Lama Lobsang no auditório do FCDEF, foi encontrada uma pulseira, um cachecol, inumeros sorrisos....

Quem quiser recuperar os objectos perdidos (pulseira, cachecol) dirigir-se ao FCDEF e falar com o Sr. Rui Faria do directivo.

Boa semana para todos


terça-feira, fevereiro 01, 2005

Árvores

Nós por cá estamos muito agradecidos pelo vosso trabalho,

Árvores classificadas no Porto


domingo, janeiro 30, 2005

Quem sabe...

Palestra de Mestre Moriyama em Florianópolis, um assistente pergunta:
- Por que o budismo não tem um conceito de Deus?
Mestre Moriyama, muito sério:
- Só Deus sabe...

http://www.chalegre.com.br/zendo/

A minha prática é a paciência


Os monges Theravada que vamos receber em Abril pertencem ao mosteiro Amaravati, que segue a tradição da Floresta de Ajahn Chah. O responsável pelo mosteiro é Ajahn Sumedho que esperamos que um dia também possa cá vir. Esta palestra dele é muito interessante:

A minha prática é a paciência:

Quando fui pela primeira vez a Wat Pah Pong não conseguia entender a língua, Lao. E nessa altura Ajahn Chah estava no seu máximo, e dava três-quatro desanas (palestras) à noite. Ele não parava, e toda a gente o adorava, era um óptimo orador, com muito humor, e toda a gente adorava ouvi-lo. Mas quando não se compreendia a língua....! Ficava ali sentado a pensar ‘quando é que ele pára, estou a perder o meu tempo.’ E ficava mesmo zangado, a pensar: 'estou farto, vou-me embora'.

Mas não tinha lata para me ir embora, e ficava para ali a pensar: ‘Vou para outro mosteiro. Estou farto disto; não vou continuar com isto’. E então ele olhava para mim - ele tinha o mais radioso dos sorrisos - e dizia: ‘Estás bem?’ E de repente toda a cólera que se tinha acumulado durante essas três horas se desvanecia.

É interessante, não é? Depois de estar ali a torturar-me durante três horas, tudo pode apenas desaparecer. Então fiz o voto de que a minha prática seria a paciência, e que durante todo o tempo eu cultivaria a paciência. Iria a todas as palestras e sentar-me-ia o tempo todo, enquanto o conseguisse fisicamente. Estava determinado a não faltar, a não tentar sair e a praticar a paciência.

E ao fazê-lo comecei a perceber que a oportunidade de ser paciente me ajudou muito. A paciência é uma base muito sólida para a minha percepção e compreensão do Dhamma; sem isso teria vagueado e desviado do rumo, como acontece com tantas pessoas. Muitos ocidentais vieram para Wat Pah Pong e desviaram-se porque não eram pacientes. Não quiseram sentar-se durante as palestras de 3-4 horas e ser pacientes. Queriam ir para lugares onde pudessem obter iluminação súbita e ter o assunto rapidamente resolvido à maneira deles.

Através dos desejos egoístas e das ambições que nos guiam, mesmo no caminho espiritual, não podemos apreciar as coisas como elas são. Quando reflecti e contemplei a minha vida em Wat Pah Pong dei-me conta que na realidade era uma situação excelente: tinha um bom professor, tinha o suficiente para comer, os monges eram bons monges, os laicos eram muitos generosos e gentis e havia encorajamento para a prática do Dhamma. Isto é o melhor que se pode ter, é uma oportunidade maravilhosa. E contudo muitos ocidentais não o viam porque tinham tendência para pensar: ‘Não gosto disto; não quero aquilo; deveria ser doutra maneira’ E ‘O que eu penso é que... o que eu sinto é... Não quero ser incomodado com isto e aquilo.’

Naquela altura eu era um monge muito novo e uma noite Ajahn Chah levou-me a uma festa de aldeia - Acho que Satimanto Bhikkhu estava lá nessa altura. Éramos praticantes muito sérios e não queríamos nenhuma espécie de frivolidade ou tolice. E, claro, ir a uma festa de aldeia era a última coisa que gostaríamos de fazer - pois em todas aquelas aldeias, eles adoram altifalantes. Seja como for, Ajahn Chah levou-me e Satimanto a esta festa, e tivemos de ficar sentados toda a noite com o som roufenho dos altifalantes - e monges a falarem durante toda a noite! Eu só pensava 'Oh, quero voltar à minha gruta - monstros verdes e fantasmas esqueléticos são melhor do que isto tudo.’ Reparei que Satimanto, que era incrivelmente sério, parecia realmente zangado e crítico e muito infeliz. Ficámos ali sentados com um ar miserável. Eu pensava: 'Por que é que Ajahn Chah nos traz para estas coisas?'

Depois comecei a ver por mim. Lembro-me de ter ficado ali sentado a pensar: ‘Aqui estou eu, todo perturbado com isto. Será que é assim tão mau? O que é realmente mau é o que faço com a situação. A minha mente é que é realmente miserável. Altifalantes e barulho, distracções e insónias, posso eu bem com isso, mas é essa coisa horrível na minha cabeça que odeia, que se ressente com tudo e quer ir embora - é essa a verdadeira miséria!'

Nessa noite vi quanta miséria podia criar na minha mente sobre coisas que na verdade conseguia suportar. Lembro-me disso como uma percepção muito clara sobre aquilo que eu achava que era realmente miserável. Ao princípio culpava as pessoas, os altifalantes, o barulho e o desconforto – pensei que isso é que era o problema. Depois percebi que não era; era a minha mente que estava miserável.

Se reflectirmos e contemplarmos o Dhamma, aprendemos com as situações de que menos gostamos - se tivermos a vontade e a paciência para o fazer.


http://www.buddhistnews.tv/current/sumedho-160604.php

Appamâda.net

É um site lindo... e traduziram para espanhol um texto do Joseph Goldstein que tínhamos traduzido para português: Como praticar (seguir os links: textos, artículos)

Diálogo interreligioso


foto ©JR/Sogenji 2004


Gostava de ter tirado uma fotografia para comprovar um momento histórico na nossa prática de meditação dos sábados à tarde :) Tivemos um monge beneditino e um padre jesuíta a praticar connosco. Noutros países há grupos cristãos com uma tradição de prática do zazen. Encontrei algures na Internet um grupo de monges beneditinos que incorporou o zazen na sua prática diária, chamam-se White Robed Monks of St. Benedict. Como diz o mestre Zen Hôgen Yamahata "O Zen é a prática que nasceu da experiência do Buda Shakyamuni, o qual despertou para a realidade última da vida (o não-eu). Como tal, o Zen não pertence a nenhuma seita religiosa em particular. Podemos até encontrá-lo no Cristianismo, no Hinduísmo, nas cartas de S. Paulo, por exemplo, ou nas biografias de Ramakrishna. Por favor, não tirem nenhuma conclusão por eu ser um monge budista; em vez disso, descubram e realizem a raiz da vossa prática Zen através deste encontro quotidiano Aqui-Agora."

O monge beneditino que esteve connosco faz parte de uma comissão para o diálogo monástico interreligioso (DIM) e é assim que se encontra nas andanças do zazen: foi convidado para uma estadia num mosteiro japonês e tem de habituar-se a sentar! Do boletim do DIM: "... la experiencia mística, no solamente es múltiple porque son muchos y diversos los hombres que buscan el Rostro de Dios, sino también porque Dios mismo se revela más o menos según su libertad y según la capacidad de cada persona, y esta puede tener un cierto conocimiento de Dios ya en aquel deseo de absolut que le empuja a hacer un camino sin fin" Monacato y Mística, Divo Barsotti

sexta-feira, janeiro 28, 2005

A cura não é a ausência de sofrimento

"A atenção plena, uma consciência mais profunda, não é algo que possamos dirigir, que possamos criar só com o poder do nosso pensamento. A atenção plena é uma forma de estar que surge quando nos tornamos mais conscientes dos nossos impulsos habituais, da nossa natureza condicionada, dos nossos padrões de pensamento e de comportamento e começamos a não permitir que esses hábitos ditem a nossa forma de responder ao mundo. A atenção plena não deixa automaticamente de me fazer sentir invadido por pensamentos e por memórias, mas ajuda-me a viver numa relação mais harmoniosa com eles. Ao colocar a atenção na respiração, consigo ver que os pensamentos são apenas pensamentos - mudam, transformam-se e vão e vêm como nuvens passageiras. Podemos facilmente deixar-nos apanhar pelos nossos pensamentos, presos na ilusão de que são a realidade. Ao colocar a atenção na respiração, torno-me o observador dos pensamentos, sentimentos e percepções, sem me ligar a eles nem os rejeitar. Esta é a prática da atenção plena. Esta é uma prática que leva à libertação e à paz.


foto ©Calica 2004

Há ainda momentos em que as minhas experiências da guerra estão aqui no momento presente. Quando estes pensamentos, sentimentos e percepções entram fortemente na minha consciência concentro-me em nem me ligar ao que surge nem o rejeitar. Em vez disso concentro-me em apenas respirar, e ao mesmo tempo em estabelecer uma relação diferente, mais harmoniosa, com este sofrimento. Isto não significa que estes pensamentos, sentimentos e percepções desaparecem, pois isso não acontece. A cura não é a ausência de sofrimento. O que acontece é que através deste processo de estar mais presente na minha própria vida, paro de tentar rejeitar o sofrimento. Isto é cura e transformação. A prática da meditação da atenção plena sustém-me em participar na realidade da minha vida sem julgamento.

Para viver no momento presente e encontrar paz nas nossas vidas temos de estar atentos em tudo o que fazemos, em cada acto que iniciamos: a forma de abrir uma porta, a forma de colocar um prato no armário, a forma de trabalhar, a forma de falar com outra pessoa, a forma de atar os sapatos, de dar um passo, de sentar, de lavar os dentes, de conduzir um carro. Nem sempre é fácil. Facilmente nos deixamos distrair pelos pensamentos, por imagens do passado e do futuro, por sonhos, por esperanças, por arrependimentos. Portanto enquanto vivia na comunidade "Plum Village" em França, aprendi a prática de usar um sino para me lembrar para voltar à minha respiração, um sino de atenção plena. Durante as palestras e retiros, um sino soa de vez em quando. Quando ouvimos o sino, é um convite a voltar à nossa respiração.

O sino de atenção plena não é apenas um tradição budista. Na Idade Média era uma tradição cristã: quando o sino da igreja tocava, era um convite a parar de trabalhar e reflectir por um momento nos presentes que recebemos ou na natureza das nossas vidas.

Posso perder-me tão facilmente no passado e no futuro que por vezes trago um sino comigo e uso-o muitas vezes quando dou palestras para que todos parem e respirem e simplesmente estejam no presente. Mas não é necessário andar com um sino a sério. Se quisermos, podemos encontrar sinos de atenção plena por todo o lado. Se escutarmos com atenção, o sino toca constantemente à nossa volta."

Um extracto do livro de Claude Anshin Thomas, de que lemos outras passagen no encontro de ontem à noite na UBP.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Datas auspiciosas do calendário tibetano em 2005

25 de Janeiro - Dia de Buda Amitabha. Lua Cheia. Sojong

28 de Janeiro - Paranirvama de LONGCHEMPA

3 de Fevereiro - Paranirvana de Tulku URGYEN RINPOCHE

4 de Fevereiro - Dia de Dakinis

7 de Fevereiro - Dia dos Dharmapalas (Protectores dos Ensinamentos de Buda)

8 de FEVEREIRO - Dia de Buda Shakyamuni. Lua Nova (PASSAGEM
DO ANO - PRÁTICA na UBP PORTO e LISBOA)

9 de FEVEREIRO - Losar - o Novo Ano Tibetano 2132 O Ano do Pássaro de Madeira

Nestas datas e nos 15 dias seguintes devemos procurar libertar vidas, realizar doações, ajudar os seres e recitar muitas vezes o Mantra do BUDA SHAKYAMUNI

Carta de Harada Roshi

Mais uma carta de Harada Roshi online, esta vem na sequência das catástrofes de fim de ano:

http://www.onedropzendo.org/newsletters/2005jan_66.html

segunda-feira, janeiro 24, 2005

À porta do inferno

Claude Ashin Thomas é um veterano do Vietname. A guerra veio na sequência natural da violência que conhecia desde criança. Aos 18 anos já era responsável pela morte de milhares de pessoas e tinha testemunhado todos os horrores. Recebeu medalhas e louvores. E quando voltou para a pátria, descobriu que continuava em guerra. A culpa, o medo, a raiva foram intensificados pela rejeição da sociedade americana em relação aos veteranos do Vietname. Não aceitava intimidade, não conseguia manter uma relação, bebia, drogava-se e chegou a viver como sem-abrigo. A recuperação veio através do mesmo povo que ajudara a matar. Ao conhecer o mestre Zen vietnamita Thich Naht Hanh entrou em contacto com a via de Buda e assim estabeleceu as bases para a sua cura. Foi ordenado monge Zen por Bernie Glassman, e tornou-se um monge mendicante. Faz peregrinações para a promoção da paz e da não-violência a lugares como a Bósnia, Auschwitz, Afeganistão, Vetname, o Médio Oriente. O livro que acabou de publicar é espantoso. Convidámo-lo a vir a Portugal e ele aceitou!


imagem de www.zaltho.org/

sábado, janeiro 22, 2005

Vacuidade

Tive notícia de um grupo sobre Krishnamurti e aqui vai uma mensagem:

Sai para a rua numa noite límpida e olha para o céu. Os milhares de estrelas que podes enxergar a olho nu não passam de uma simples fracção centesimal do que existe nele. Mil milhões de galáxias já podem ser detectadas por meio dos mais poderosos telescópios, cada galáxia é um "universo ilha" contendo milhares de milhões de estrelas. E, no entanto, o que é ainda mais assombroso é a infinidade do próprio espaço, a profundidade e a quietude que permite que toda essa magnificência seja. Nada é mais assombroso e majestoso do que a vastidão e a quietude inconcebível do espaço e, no entanto, o que é ele? Vacuidade, vasta vacuidade.
O que nos aparece como espaço no nosso Universo percebido através da mente e dos sentidos é o próprio Não-Manifesto exteriorizado. É o "corpo" de Deus. E o maior milagre é este: essa quietude e vastidão que permite ao Universo ser, não está apenas lá fora no espaço - está também dentro de ti.
Eckhart Tolle

Sai para a rua numa noite límpida

Perguntas filosóficas sobre a Criação

Um tema excitante! - Philosophical questions on Creation

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Posturas para Meditar

Mais um texto interessante na sala de estudos de Nalanda: Posturas para Meditar. Fico muito satisfeita por a autora aconselhar a minha posição favorita, a birmanesa :)

Por falar em som

o Nuno é um dos primeiros massagistas de som formado em Portugal pela escola Peter Hess e (passe a publicidade) está disponível para consultas.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

O verdadeiro som da verdade

Do site sobre o significado do mantra Om Mani Padme Hum gosto especialmente desta história, que para já vai em inglês, mas há uma versão brasileira aqui!:



A devoted meditator, after years concentrating on a particular mantra, had attained enough insight to begin teaching. The student's humility was far from perfect, but the teachers at the monastery were not worried.

A few years of successful teaching left the meditator with no thoughts about learning from anyone; but upon hearing about a famous hermit living nearby, the opportunity was too exciting to be passed up.

The hermit lived alone on an island at the middle of a lake, so the meditator hired a man with a boat to row across to the island. The meditator was very respectful of the old hermit. As they shared some tea made with herbs the meditator asked him about his spiritual practice. The old man said he had no spiritual practice, except for a mantra which he repeated all the time to himself. The meditator was pleased: the hermit was using the same mantra he used himself -- but when the hermit spoke the mantra aloud, the meditator was horrified!

"What's wrong?" asked the hermit.

"I don't know what to say. I'm afraid you've wasted your whole life! You are pronouncing the mantra incorrectly!"

"Oh, Dear! That is terrible. How should I say it?"

The meditator gave the correct pronunciation, and the old hermit was very grateful, asking to be left alone so he could get started right away. On the way back across the lake the meditator, now confirmed as an accomplished teacher, was pondering the sad fate of the hermit.

"It's so fortunate that I came along. At least he will have a little time to practice correctly before he dies." Just then, the meditator noticed that the boatman was looking quite shocked, and turned to see the hermit standing respectfully on the water, next to the boat.

"Excuse me, please. I hate to bother you, but I've forgotten the correct pronunciation again. Would you please repeat it for me?"

"You obviously don't need it," stammered the meditator; but the old man persisted in his polite request until the meditator relented and told him again the way he thought the mantra should be pronounced.

The old hermit was saying the mantra very carefully, slowly, over and over, as he walked across the surface of the water back to the island.

terça-feira, janeiro 18, 2005

prática de oração

Vai começar às quartas, sob a orientação de Nuno Peixoto (o som é a via dele!), promete muita prática de mantras! "Orientar" é muito pomposo, quer dizer que estará lá para abrir a porta e quem quiser aparecer, pratica também! Para uma analfabeta musical como eu, vai ser o paraíso.
Este site é óptimo: The Meaning of the Mantra in Tibetan Buddhism

sábado, janeiro 15, 2005

Tsa-Lung - cura com as mãos

Nos dias 5 e 6 de Fevereiro o workshop orientado pelo lama médico tibetano Lobsang Thamcho Nyima será sobre Tsa-Lung.

Tsa-Lung, que se pode traduzir por "Cura com as mãos", significa literalmente "canais de vento". É uma técnica especial para cura com energia. Segundo a tradição, esta técnica tem milhares de anos e foi preservada no Tibete, estando na origem do Reiki e da Acupunctura.

A técnica Tsa-Lung envolve vários passos. Primeiro, o nosso próprio corpo é preparado para curar. Os canais do corpo têm de ser abertos através de exercícios de respiração, movimentos físicos e meditação, os elementos e os humores têm de ser equilibrados.

Em segundo lugar, um certo tipo de energia de calor tem de ser gerada, mais uma vez através da meditação. Quando conseguimos gerar este calor, este pode ser usado para libertar a energia curativa de vários pontos do nosso corpo. Depois, usamos um ou mais tipos de energia dos ventos para guiar esta energia para a pessoa que está sob tratamento. Finalmente as energias curativas fazem sentir o seu efeito benéfico no corpo do paciente, abrindo canais, restaurando o equilíbrio dos elementos e ajudando na regeneração de tecidos danificados.


informação e imagem de http://www.nangtenmenlang.org

o que aproxima budistas e católicos?

O encontro inter-religioso entre a Tsering e representantes católicos vai decorrer na sexta-feira dia 11 de Fevereiro pelas 21h na sede do CREU (em Oliveira Monteiro). O tema, "A Questão do Sofrimento - o que aproxima budistas e católicos?" visa partilhar experiências no âmbito do projecto Amara. "Só quando tomarmos consciência do nosso papel, por mais pequeno que seja, é que podemos ser felizes, viver e morrer em paz porque o que dá sentido à vida dá sentido à morte. Saint-Exupéry"

Entretanto ela manda-nos beijinhos pralinés (está em Bruxelas!)

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Paciência

A paciência recorda-nos que o que está à nossa frente é apenas este momento, apenas este passo, apenas esta respiração.
Joseph Goldstein

domingo, janeiro 09, 2005

MUSHIN

"Quando um pião gira a grande velocidade, dá a impressão que está imóvel. Uma hélice em movimento parece não existir. Quando estamos num estado centrado e liberto, estamos livres da habitual consciência de ‘si’ e penetramos num oceano sem ego.
Um espelho reflecte os objectos sem distorções. A não-mente (mushin) é como um verdadeiro espelho, no qual podemos ver as coisas tal com elas são. Ver as coisas tal como elas são é a acção da não-mente e, simultaneamente, o reflexo directo da nossa vida mais pura e da compassiva natureza original. Ser como um espelho vazio é agir com frescura, novidade, de maneira directa, sem qualquer interferência da mente.
Enquanto pensarmos ‘não-mente’, não estamos em verdadeira não-mente; de facto, não há nenhuma distinção entre a ‘mente’ e a ‘não-mente’. A‘não-mente’ não é algo a ter em mente, mas sim as respostas espontâneas, livres em todas as nossas actividades diárias sem as superficiais intenções conscientes; o produto da actividade do intelecto é queimado sem deixar vestígios.

«Um dia o mestre Zen Ikkyu e o seu assistente passavam perto de uma loja onde alguém fritava enguias. “Que cheiro delicioso”, observou Ikkyu. Continuaram a caminhar em silêncio durante mais algum tempo, até que o assistente não se conteve mais. “Nós, monges, não comemos seres vivos”, desabafou, “e não lhe fica nada bem dizer tais coisas”. “Eu deixei lá as enguias”, respondeu Ikkyu. “Será que tu ainda as trazes contigo?»

Não podemos aspirar assim a esse estado de vazio absoluto pelo esforço deliberado de pôr fim a todos os nossos pensamentos. Seria um inútil devaneio, por mil anos que prosseguíssemos em tal prática. Devíamos estar já em não-mente. Aqui-Agora. As nossas acções provocam dano ao não estarmos em não-mente e contudo ao não estarmos em não-mente o universo não deixa de se mover na sua paz original."

Texto lido de Hogen Yamahata (No Caminho Aberto, ed. Assírio e Alvim) durante o nosso retiro citadino de domingo (que dia! vocês são lindos!)

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Medicina Tibetana

Lama Lobsang Thamcho Nyima vai estar no Porto!
Dia 4 de Fevereiro: consultas - marcação pelo telefone 919414743
Palestra de Introdução à Medicina Tibetana às 21h na Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Rua Dr. Plácido Costa, 91

Dia 5 e 6 workshop: Tsa-Lung (Cura com as mãos) - na sede da UBP Porto, Rua Aníbal Cunha, 39 - 2.º sala 3


De acordo com a Medicina Tibetana, a doença consiste num desequilíbrio entre os cinco elementos que constituem o corpo humano (terra, água, fogo, ar e espaço), o espírito e o meio ambiente.

A saúde é a harmonia entre o microcosmos e o macrocosmos; o corpo e o universo; - o microcosmos e o macrocosmos, unidos pelos cinco elementos que são energias cósmicas, encontram-se como que dançando um com o outro e quando essa dança entra em desarmonia com o espírito que os coloca em movimento, surge a doença.
Na Medicina Tibetana o diagnóstico da doença é principalmente feito pelo pulso, através da colocação de três dedos da mão do médico (indicador, médio e anelar) no pulso do doente, bem como pela observação atenta das características morfológicas e psicológicas do doente, além do exame da língua, urina e sangue.

Um médico tibetano aconselha o seu paciente a três níveis: correcção da atitude psicológica e do comportamento quotidiano, conselhos dietéticos e medicamentos à base de substâncias vegetais e minerais preparados em Dharamsala, na Índia.
Este sistema produz muito bons resultados nas situações de doenças crónicas, desequilíbrios psicológicos ligeiros, reumatismo, tendo-se, também revelado interessantes as intervenções em situações de esclerose em placas, bem como o trabalho de acompanhamento de pacientes com doenças graves (cancro, SIDA).


Imagem de um dos meus sites preferidos sobre Medicina Tibetana: http://www.dharma-haven.org

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Concerto de Solidariedade

THE GIFT, MESA, CLÃ, FINGERTIPS e XUTOS E PONTAPÉS, entre outros, reúnem-se num grande concerto de solidariedade para com as vítimas do tsunami.

Tendo em conta que a Fundação AMI – Assistência Médica Internacional foi a primeira ONG a prestar apoio ao sudeste asiático, encontrando-se neste momento no Sri Lanka uma equipa a auxiliar uma população que se debate com cerca de 30 mil mortos já confirmados neste país, o núcleo AMIarte espera a presença massiva do público neste evento de solidariedade, considerando que a receita de bilheteira será inteiramente aplicada pela Fundação AMI no auxílio às vítimas do tsunami.

O concerto MÚSICA E SOLIDARIEDADE: AMI pela ÁSIA tem lugar no COLISEU DO PORTO, no próximo dia 22 de Janeiro, às 21h30.
Bilhetes à venda no Coliseu do Porto e nas lojas Fnac
Reserva para AMI: 22 5100701

AMIarte
Delegação do Norte da Fundação AMI
Rua da Lomba, 153, Porto
Telef: 225100701 fax: 225104816

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Retiro Zen



O próximo retiro Zen será no fim-de-semana da Páscoa, e será orientado por Amy Hollowell Sensei, a primeira sucessora de Sensei Catherine Genno Pagès. Amy Hollowell nasceu em Minneapolis, nos Estados Unidos, em 1958. Emigrou para França em 1981 no final dos seus estudos universitários. Actualmente é jornalista num quotidiano internacional com sede em Paris. É também poeta - os seus poemas foram publicados nos Estados Unidos e na Europa. Começou a estudar o Zen com Catherine Pagès em 1993 e ensina sob a sua direcção desde o ano 2000. Recebeu a transmissão do Dharma em 2004.


Perguntas e respostas

Um texto publicado online, cortesia da Assírio Alvim e de José Eduardo Reis: Uma realidade, uma vida, capítulo de Perguntas e respostas extraído do livro No Caminho Aberto, de HÔGEN (DAIDÔ) YAMAHATA, tradução José Eduardo Reis e Shingen Manuel Zimbro, Lisboa, Assírio e Alvim, Outubro 1993

domingo, janeiro 02, 2005

Retiro na cidade

Alguns de nós começaram o ano da melhor maneira possível: em meditação. No próximo domingo, dia 9 de Janeiro, vamos fazer um período intenso de prática. Começamos às 6 da manhã para estar presentes quando o dia nascer. De resto, terá a estrutura de um retiro Zen, períodos de meditação sentada, em andamento, leitura de sutras, uma actividade no exterior (provavelmente nos jardins do Palácio), para além dos necessários intervalos para chá, bolachas, e o almoço. Uma oportunidade de sair da distracção em que habitualmente estamos submergidos.


SEAT and DIE FOTO ©JR/Sogenji 2004


"A mente, ou consciência, está no coração da teoria e prática budistas, e nos últimos 2500 anos, meditadores têm vindo a investigá-la e a usá-la como um meio de transcender a existência insatisfatória e de atingir a paz perfeita. Diz-se que toda a felicidade, comum e sublime, é atingida pela compreensão e transformação de nossa própria mente.

Um tipo de energia não-física, a função da mente é conhecer, experienciar. É a própria consciência. É clara por natureza e reflecte tudo o que experiencia, assim como um lago calmo reflecte as montanhas e florestas que estão ao seu redor.

A mente muda de momento a momento. É um continuum sem início, como um fluxo sempre em movimento: o momento-mental prévio dá origem a este momento-mental, que dá origem ao próximo momento-mental e assim por diante. É o nome geral dado à totalidade das nossas experiências conscientes e inconscientes: cada um de nós é o centro de um mundo de pensamentos, percepções, sentimentos, memórias, sonhos — tudo isto é a mente.

A mente não é uma coisa física que tem pensamentos e sentimentos; essas próprias experiências são a mente. Por ser sem matéria, ela é diferente do corpo, apesar de mente e corpo serem interconectados e interdependentes. Este relacionamento explica porque, por exemplo, as doenças e os desconfortos físicos podem afectar a mente, e porque as atitudes mentais, por sua vez, podem dar origem tanto à cura quanto aos problemas físicos.

A mente pode ser comparada a um oceano, e os eventos mentais momentâneos — como a felicidade, a irritação, as fantasias e a tristeza — às ondas que sobem e descem sobre sua superfície. Assim como as ondas podem ser apaziguadas para revelar a calma das profundezas do oceano, assim também é possível acalmar a turbulência de nossa mente para revelar a sua clareza natural.

A habilidade para fazer isto está dentro da própria mente, e a chave para a mente é a meditação.

(McDonald, Kathleen. How to Meditate: A Practical Guide
adaptação da edição de Robina Courtin. Ithaca: Snow Lion, 1998)